
Sabia que era uma noite diferente quando ao sair a lua me sorria como o Cheshire Cat em cima da árvore. Me vi no diálogo(um dos, senão o meu preferido do livro Alice no país das maravilhas):
- Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?
- Isso depende muito de para onde quer ir.- respondeu o gato
- Para mim, acho que tanto faz… - disse a menina.
- Nesse caso, qualquer caminho serve- afirmou o gato.
Eu realmente não sabia. Era um domingo a noite e estava entediada, não deixaria de ver o filme a só por que minhas companhias não poderiam mais ir comigo. Cinema solo, topo sim! Mas é noite, tempo fechado…falta pouco tempo antes de começar a sessão! E ainda nem sei o lugar!!! A pressa foi meu coelho branco. Segui-o.
Rendeu uma bela imersão na jeito oriental de filosofar sobre amor e lutas de espada.

A raiz de todos os problemas do homem é a memória
Sempre gostei de andar a noite pela Paulista coisa que não faço a bastante tempo, principalmente tão tarde. Aliás andar por aí é uma das melhores formas de (tentar) colocar os pensamentos em ordem. Tinha um grande percurso e tempo pra pensar. Da Consolação ao Paraíso.
Até o trianon fui seguida por um carro que alguem lá dentro me chamava de seu amor e oferecia carona. Mas ele ou desistiu ou percebeu o engano: Não era nem seu amor e nem queria carona. Acho que nunca vai funcionar com ninguém Sr. caroneiro-desconhecido-provavel-maniaco.
Tentei voltar a imergir nos pensamentos. Estava entre Trianon e Brigadeiro, quando senti meu braço ser puxado por alguém que afirmava estar armado e de que eu estava f*** se reagisse. Eu de pronto: Você não sabe..mas eu ja estou f****. E naquele instante deixei transparecer que nem me importava com nada que acontecesse. Não sei se por pena ou se ele não via graça em tirar algo de quem não tinha nada a perder…ele apenas me soltou e continuei o caminho. Depois de andar um pouco senti o medo e as pernas tremerem. Susto pela minha reação mais que pelo “quase assalto”.
Um pouco a frente tudo pareceu bem mais vazio e escuro. Os prédios cada vez menores. Tão surreal ver a Paulista assim que por um instante me vi crescer nessa cidade sem ninguém, parece até que com poucos passos ja podia terminar o trajeto. Olho o céu sem estrelas e começa a cair uma garoa fina.
Atravesso a rua e do vazio e receio vejo o quarteirão abarrotado só de casais. Eu conto 1, 2…5…e lá atras mais outro. Quem montou esse cenário pra mim. Misturou chuvinha e casais apaixonados. E só eu só.
23:50. Enfim Paraíso, a garoa passa…e várias outras coisas voltam. Todas as coisas que deixei quando saí. Isso me lembra que também nunca li Alice até o fim, não sei se o passeio pelo país das maravilhas mudou algo na vida dela.
Por enquanto, por esta noite, eu continuo a mesma.